9.3.22
HONK HONK
Tenho ido de bicicleta para o trabalho. Uma ou duas vezes por semana, dependendo do tempo. Demoro cerca de 25 minutos para descer de Kilburn até Kensington e passo em frente à embaixada russa. Colocaram flores, escreveram nos muros, colaram cartazes e está sempre lá um grupo pequeno de pessoas com cartazes em protesto, a pedir para os automobilistas darem umas buzinadelas. Das duas vezes que lá parei vi reações aos protestos que me parecem ser um pouco o espelho do que se passa no mundo. Primeiro, um ciclista que passou e se virou com um Fuck Off para um homem com um cartaz que dizia HONK. O homem do cartaz ficou indignado, surpreendido por tamanho antagonismo, mas penso que ele ficou tão confuso como eu - porquê um fuck off quando se está apenas a segurar um cartaz por uma manifestação sonora? O segundo foi ontem. Estavam lá dois tipos: um repetia Stop Putin, Stop the War, o outro gesticulava piças com os dedos para as janelas da embaixada. Algumas pessoas paravam para tirar fotos a sorrir para a câmara, outras passavam como se nada fosse. Nisto passa um tipo todo sujo, meio esfarrapado, aspecto de sem abrigo com problemas de saúde mental a vociferar contra os ucranianos, dizendo que eles é que começaram a guerra, e continuou caminho (gravei e coloquei no aporee). Senti neste episódio uma pequena amostra daquilo que se passa no mundo, algo muito perto de uma combinação perigosa de loucura, indiferença e desespero, à espera de uma faísca.
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