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31.12.20

Reflexões 2020 #3

Leituras. Mais de vinte livros em 2020. Pouca ficção. Sobretudo pequenos ensaios (livros de bolso da Penguin Modern comprados na Tate Modern), som e música (The Rest is Noise, Future Days, In Pursuit of Silence), alguma neurociência (The Strange Order of Things), considerações antropológicas sobre o mundo do trabalho (Bullshit Jobs) e sobre o mundo virtual em que vivemos (Stand Out of Our Light), e alguns bons livros da secção infantil (The Boy, The Mole, The Fox and The Horse, James and the Giant Peach), poesia do Henri Michaux (Antologia) e do Vinicius de Moraes (Operário em Construção). A literatura portuguesa ficou na sombra, mas ainda houve tempo para ler A Terceira Rosa do Manuel Alegre e o Húmus do Raul Brandão durante as férias de verão. Na mesinha de cabeceira estão ainda: o eterno Making Noise: From Babel to the Big Bang & Beyond (penso que vou demorar vinte anos a ler este calhamaço), Music and the Mind, How Music Works e Invisible Cities.

Mudanças nos hábitos de leitura durante 2020: 1) por muito que pareça estranho dizer isto, às vezes (mas só às vezes) fazem-me falta as viagens de autocarro para Kensington, o hábito em movimento que me deixava no estado perfeito para ler algumas páginas seguidas - em casa é mais difícil manter uma rotina de leitura; 2) deixamos de ir à biblioteca ao fim de semana e isso, apesar de ter sido um bom alívio para as minhas costas (chegava a carregar muitas vezes cerca de 15 livros), foi uma perda imensa na nossa busca de novas histórias, sobretudo de literatura infantil. Porém, nem tudo se perdeu porque descobrimos a biblioteca online onde podemos continuar a ler bons livros. Não é a mesma coisa, mas é bastante prático. Foi assim que lemos o livro James and The Giant Peach do Roald Dahl e descobrimos alguns livros do David Walliams (sim, o ator do Little Britain). Por este andar é assim que vamos continuar a ler em 2021. Motor de pesquisa, uma lista de preferências, download temporário: bem-vindos ao mundo das bibliotecas públicas virtuais. Façamos uso delas. É grátis, mas muito mais do isso, é um direito.

Entre isto existem outras leituras obrigatórias: os textos (cada vez mais ancorados nos egos dos jornalistas) da revista WIRE; (às vezes) o jornal Times que chega pelo correio à casa do vizinho e que este faz questão de partilhar connosco como se fosse um bom jornal (não é mau de todo, mas é conservador), quando eu sou um leitor do The Guardian (quer online, quer da gratuitidade das compras do Waitrose ao fim de semana). Mas há alturas em que não paciência para tanto papel espalhado pelo chão da casa, é demasiada informação, demasiadas opiniões e demasiadas notícias tristes, manipulações, tendências de um mundo dividido. Repare-se só na imagem desta última notícia sobre a vacina: o Boris mascarado de cientista (propaganda pura) com cara de parvo a olhar para um tubo com um líquido - porque é que não mostram uma fotografia dos cientistas? Jornalismo de sarjeta...

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