Primeira corrida de 2021 no lugar do costume: Queen’s Park. Dia frio e nebuloso. Algumas pingas de chuva e granizo. Pouca gente na rua, carros quase nenhuns. É o primeiro dia do ano, dia de preguiça e ressaca para muita gente. O prato e o copo sempre na mesa. O sono do aborrecimento entre as palavras. O típico entra e sai nas redes sociais a ver se algo aconteceu subitamente.
Muito do exercício físico de 2020 foi feito a correr. Cerca de trinta minutos. Não só no Queen’s Park, mas também no Gladstone Park (mais no verão). No princípio ainda usava uma app para ver as estatísticas das corridas, mas depressa percebi que eu não queria saber das estatísticas para nada. Levava as chaves numa mão, o iPhone na outra, algumas vezes com auscultadores a ouvir música ou um podcast da BBC. Agora tenho uma braçadeira para meter o iPhone, comprada numa loja de caridade por £3.
Inscrevi-me no ginásio no princípio de 2020, poucas semanas antes do descalabro da pandemia e nunca mais lá pus os pés. A questão que se coloca agora é “para quê”? Eu ia lá para dar umas pedaladas/ remadelas e fingir exercitar os músculos nalgumas máquinas. Tudo exercícios que podem ser feitos ao ar livre, mesmo no inverno com zero graus. E também não é preciso nenhum equipamento especial para o frio. Corro sempre de calções de piscina, pronto para mergulhar quando chove. O melhor de tudo é não estar rodeado de génios narcisistas da musculatura, nem ter de ouvir aquela música horrorosa a "bombar" para a suadela perfeita. Vou continuar a correr. Ao ar-livre.
A prática de ioga tem já outras nuances. A falta de espaço é um problema, mas tem sido um hábito quase diário começar o dia de trabalho com meia-hora de exercícios e uma meditação possível em silêncio. O fim de semana é tempo de folga, mas não é de todo impossível arranjar meia-hora para esticar as costas ao som de uma peça longa de música indiana. Cítaras, harmónios, vozes de outras eras e outros lugares. Tudo aquilo que precisamos para esquecer o pião de pensamentos inúteis que nos atormentam durante as horas mais difíceis do dia.
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