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8.11.20

Apontamentos dispersos entre um dia que começa e outro que acaba

22:50
Converso comigo próprio sobre questões recentes no mundo do trabalho enquanto lavo a louça num domingo à noite e chego a uma conclusão sobre isso: a questão não está nas análises invasivas da nossa performance (eles fazem isso de qualquer forma), está antes na mistura de assuntos diferentes. Uma coisa é uma apresentação sobre uma ferramenta com devida análise do seu impacto no fluxo de trabalho. Outra é colocar a minha performance individual nessa mesma página. São assuntos diferentes. E parece-me que a melhor atitude será manter a objectividade do assunto, devidamente concentrado no trabalho específico de um novo método de trabalho. Se quiserem extrapolar para o meu caso pessoal, penso que o devem fazer fora do âmbito da performance em si.

22:51
Só saimos de casa para dar uma volta ao quarteirão e jogar badmington no nosso jardim. Já algum tempo que não jogávamos e até foi uma boa partida. Não estava vento, nem frio nenhum. Começamos por tentar aguentar o maior número de raquetadas possíveis sem deixar cair a pena no chão e chegámos às 121. Depois jogámos duas ou três partidas e eu perdi. Não estava com muita vontade de me esticar, mas o puto também joga bem, diga-se a verdade.

22:53
O dia de hoje serviu para terminar o livro Bullshit Jobs do David Graeber. É um livro implacável sobre a vida laboral da era moderna e é bastante difícil encontrar uma solução. Existem, porém, vários caminhos a considerar: 1) encontrar um trabalho mais útil à sociedade (algo difícil de fazer quando a mobilidade do mercado é extremamente restrita a partir de uma certa idade); 2) tentar reduzir o horário de trabalho ao essencial, às tais 15-20 horas semanais (isto parece ser mais realizável, caso a remuneração seja suficiente para aguentar as despesas e fazer uma vida normal); 3) acreditar que o Rendimento Único/Universal vai chegar nos próximos 10 anos (isto soa a autêntica utopia. Parece-me que a segunda hipótese será a mais realista. No fundo, trata-se de trocar um full-time por um part-time (pode ser o mesmo trabalho, ou outro) e aproveitar o tempo restante para fazer coisas mais criativas, montar um negócio ou ter um segundo part-time que não seja um bullshit job.

22:54
Depois do almoço não fizemos nada de jeito. Eu fiquei sentado no sofá a terminar de ler o livro Bullshit Jobs e o Piruças, sentado ao meu lado, não encontrou vontade nenhuma de acabar os trabalhos de casa. Talvez eu não lhe tenha dado a atenção necessária. Dei só alguma e acabei por falhar no momento crucial de incutir algum entusiamo no assunto. Às vezes não há muita coisa a fazer. É preciso dar algum desconto a dias assim. É preciso parar no tempo, esquecer o mundo, o Biden, o Trump, e ler páginas de um livro até ao fim. O melhor dos domingos é entrar num mundo que é só nosso, onde esquecemos tudo o resto e não fazemos planos para mais nada. Simplesmente, deixamo-nos levar pelas horas e pelo som de uma televisão ligada para ninguém.

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