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26.8.20

Dia 8/14

12:50
O que cansa mais nisto da quarentena é o ter de trabalhar, o que põe tudo numa perspectiva muito mais universal nesta nossa relação com o mundo que nos rodeia. Talvez não seja nada exagerado dizer que o trabalho é a pior quarentena de todas porque, no fundo, é ele que nos prende à cadeira e ao computador. Compare-se o sentimento de liberdade depois desta quarentena de 14 dias com a libertação existencial de um dia de folga ou de uma semana de férias. Repare-se exactamente na sensação de desprendimento. Repare-se ainda no facto de podermos infringir as ‘regras’ em ambas as situações. Não me parece que existam dúvidas. É tudo uma questão de perspectiva. Com uma boa analogia há sempre a possibilidade de deturparmos um pouco esta realidade. Mas o mundo vive permanentes debates nas periferias e quanto mais o observamos, mais nos apercebemos na loucura de tudo isto. Chegamos a 2020 e ninguém vê a gravidade que é o ter de se criar grupos anti-fascistas um pouco por todo o lado. É muito mau sinal. Por isso, se quisermos construir um cenário ainda mais aterrador, comece-se a imaginar toda a loucura que anda a ser incubada nestas quarentenas todas. O medo, a loucura, a estranheza, a intolerância, tudo ingredientes para um mundo pior.

13:01
O queijo não saiu lá muito bem. Acho que ficou muito duro.

20:02
O tipo dos Tomaga morreu de cancro no estômago diagnosticado em março deste ano. Tinha 42 anos. Vi-os umas poucas de vezes no Café Oto e vi-os ainda este ano no Kings Place com o Pierre Bastien. Foi um dos últimos concertos que eu vi em Londres. Talvez o penúltimo. Custa ler noticias destas. Pela idade (a mesma que a minha), pela doença repentina (afinal não é só do COVID que temos de falar), por eu ter andado a fazer exames e preocupado com coisas do género. Não é que o tenha conhecido pessoalmente, mas o facto de os ter visto umas poucas de vezes (ainda este ano) faz-me pesar a tristeza mais do que o normal. Era novo. Fazia música de fronteiras.

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