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24.8.20

Dia 6/14

11:53
Encontrei um novo canto no quarto do Piruças junto à janela virada para Oeste e mudei a tralha para a calmaria do andar de cima. São as vantagens de ter uma secretária (emprestada) que é uma mesa de campismo. O sistema é sempre o mesmo, mas aqui tenho livros do Mr Men a servirem de suporte das colunas de som. Tudo se improvisa. O “escritório”, o espaço, a mobília, o próprio trabalho. Tenho uma semana medonha pela frente. Um dos putos está de férias, o outro teve um chilique (é o que dá andar feito super-herói), e eu tenho este belo panorama no meu regresso de férias. Não tarda e tenho as tripas novamente embrulhadas nos e-mails e nas pessegadas “urgentes” do costume. Mas não pensem que caio nessa. A minha velocidade é em câmera lenta e se quiserem super-heróis vão ter de os contratar porque eu já não tenho paciência. Leio livros e revistas nos meus intervalos. Faço gazetas nos meus horários mais aprumados. Desobedeço ao automatismo do percurso laboral daqueles que só funcionam por efeito dominó.

17:04
A primeira coisa que o nosso vizinho Alan faz quando chega de mais um fim-de-semana na ilha de Wight é ligar o cortador de relva. Ouço-o daqui do quarto em ondas de cortadelas eléctricas e sei que há uma vibe de recepção de boas-vindas no ar. Gosto do cheiro de erva cortada. Para ele temos uma garrafa de aeroporto metida na mala à última da hora. É o mínimo que podemos trazer depois de um mês de férias longe daqui. Aposto que foi um sossego.

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