Páginas

30.8.20

Dia 12/14

19:54
Li hoje no jornal que a quarentena vai ser novamente imposta a Portugal porque os casos têm aumentado todos os dias. A lógica, segundo os responsáveis do governo, é impedir a ‘importação’ do vírus e continuar a mostrar que o problema vem de de fora. Ora, em primeiro lugar, seria interessante analisar até que ponto os turistas ingleses contribuíram para o aumento dos casos. E sem segundo lugar seria também muito interessante comprovar se verdadeiramente há um aumento de contágio pelas pessoas que chegam de determinados países e não de outros. Ou seja, a única forma de se saber se toda esta pessegada faz sentido é através de um sistema que permita fazer testes às pessoas, independentemente do país de onde elas vêm. Nada nos garante que uma pessoa a chegar de Portugal seja mais problemática do que uma pessoa a chegar de um país que não tenha quarentena. É tudo um jogo. O pior é para as pessoas que aproveitaram para dar um salto à peninsula e que agora estão prestes a levar com a notícia. Marcações à última da hora, mudança drástica de planos, temporada em vias de extinção. É neste mundo incerto em que vivemos em que ninguém sabe nada de nada e todas as medidas são autênticos tiros no escuro. 

20:10
A noite cai no bairro de Mapesbury e não há nada de novo na paisagem. Acendem-se as luzes dos prédios próximos e há um vizinho a falar ao telemóvel na varanda como se ainda estivéssemos no verão. Vejo a silhueta de um corvo a esvoaçar no céu nublado de cromatismos cinzento-azuis. Ainda não é bem noite, mas já existem traços dos dias mais pequenos, ares de outono próximo e um som de trânsito abafado da rua principal. Entre isto e uma manhã com uma curta jogatina de bola no jardim, há só um filme de animação japonês com uma bacia de pipocas. O resto do dia foi uma tentativa muito naive de tentar gravar uma música de 3 minutos com quatro acordes. Já há imenso tempo que não ganhava coragem. Fica sempre tudo a meio ou sem gosto. A simplicidade é a única arma da tarefa, só guitarra, baixo e uma batida. Mas eu não gosto muito de batidas programadas porque fica tudo a soar mecânico. Além disso, chega-se sempre àquele momento do “falta aqui qualquer coisa” e tudo fica muito mais complicado. Não importa. O que importa é que se passa o tempo a ocupar a cabeça com exercícios de cabeça e de mãos.

Sem comentários:

Enviar um comentário