Hoje fugimos ao ruído, à poluição, às pessoas, e seguimos caminho até ao fim da Mapesbury Road e descemos a Willesden Lane que vai ter ao cruzamento junto à escola. Demorámos cerca de vinte minutos, talvez cinco minutos a mais do que é habitual, mas foi uma caminhada muito mais calma. Acho que vale a pena a volta em semi-círculo. Chegámos à escola quinze minutos antes da hora e tivemos de esperar pela hora certa: 9:05. As pessoas não mantêm bem as distâncias e nós éramos os únicos do outro lado da rua. Penso que é nestes pequenos pormenores que reside o problema do desconfinamento. De um lado temos as pessoas que não querem saber ou nem pensam, do outro temos aqueles que andam de máscara e luvas e casaco em dias de 30 graus. O importante é o equilíbrio.
Os dias passam mais depressa quando se está sozinho em casa. Não há desassossego, não há ruído, não há discussões. Escutam-se os sons que vêm de fora. Escuta-se música com outra vontade. Música que se escuta pela música e não como uma tentativa de abafar os ruídos circundantes. É um pouco como estar num escritório. Passa-se grande parte do tempo a fazer um esforço de abstracção e o dia também passa devagar. Há momentos em que nos apercebemos disso. Por exemplo, quando a maioria das pessoas está numa reunião para a qual não fomos convidados ou quando o ar condicionado se desliga de repente. É um silêncio quase puro. Ainda ontem falámos sobre isso. Sobre esta vontade nenhuma de querer voltar ao escritório. Ter de estar num plano aberto não é apenas uma inconveniência de coronavírus. Já há muito que se quer um escritório fechado. Mais pelo silêncio do que pelas vistas.
Entretanto chegam os rolamentos da scooter e em cinco minutos fica pronta para uma corrida. Saio de casa nela, às 3 e 5, e sigo o mesmo caminho (Mapesbury Road - Willesden Lane), sempre a descer, pouca gente, poucos desvios. Chego à escola às 3 e 15 e desta vez, finalmente, há um esforço por parte do staff em obrigar as pessoas a fazerem fila com as distâncias certas. Eu fico à sombra do outro lado da rua à espera. E às 3 e 20 lá vêm todos em fila indiana. Duas filas indianas, uma de crianças e outra de adultos. É bom ver estes a aprenderem alguma coisa com aqueles.
Subir a rua não é tão fácil como descer, mas o Piruças não se importa e aproveita a boleia da scooter. Percebeu logo do que eu estava a falar quando eu disse 'sabes o que me apetecia agora?': entrámos no supermercado e compramos uma caixa de soleros, um e meio para cada um. Guardar o terceiro seria uma coisa melada com o calor desta semana. Subimos a rua a comer gelados e depois digerimos tudo debaixo da sombra das árvores da Mapesbury Road. Ainda não eram 4 quando chegámos a casa.
Os dias passam mais depressa quando se está sozinho em casa. Não há desassossego, não há ruído, não há discussões. Escutam-se os sons que vêm de fora. Escuta-se música com outra vontade. Música que se escuta pela música e não como uma tentativa de abafar os ruídos circundantes. É um pouco como estar num escritório. Passa-se grande parte do tempo a fazer um esforço de abstracção e o dia também passa devagar. Há momentos em que nos apercebemos disso. Por exemplo, quando a maioria das pessoas está numa reunião para a qual não fomos convidados ou quando o ar condicionado se desliga de repente. É um silêncio quase puro. Ainda ontem falámos sobre isso. Sobre esta vontade nenhuma de querer voltar ao escritório. Ter de estar num plano aberto não é apenas uma inconveniência de coronavírus. Já há muito que se quer um escritório fechado. Mais pelo silêncio do que pelas vistas.
Entretanto chegam os rolamentos da scooter e em cinco minutos fica pronta para uma corrida. Saio de casa nela, às 3 e 5, e sigo o mesmo caminho (Mapesbury Road - Willesden Lane), sempre a descer, pouca gente, poucos desvios. Chego à escola às 3 e 15 e desta vez, finalmente, há um esforço por parte do staff em obrigar as pessoas a fazerem fila com as distâncias certas. Eu fico à sombra do outro lado da rua à espera. E às 3 e 20 lá vêm todos em fila indiana. Duas filas indianas, uma de crianças e outra de adultos. É bom ver estes a aprenderem alguma coisa com aqueles.
Subir a rua não é tão fácil como descer, mas o Piruças não se importa e aproveita a boleia da scooter. Percebeu logo do que eu estava a falar quando eu disse 'sabes o que me apetecia agora?': entrámos no supermercado e compramos uma caixa de soleros, um e meio para cada um. Guardar o terceiro seria uma coisa melada com o calor desta semana. Subimos a rua a comer gelados e depois digerimos tudo debaixo da sombra das árvores da Mapesbury Road. Ainda não eram 4 quando chegámos a casa.
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