Chegou ao fim a primeira semana de escola. Amanhã, sexta-feira, é dia de descanso. Talvez um pronúncio subtil de futuro em que as semanas de trabalho vão ser só de quatro dias. É o que todos queremos. Um dia para desligar. Podemos tentar fazer aqui algumas previsões, mas por enquanto fica apenas o travo de uma primeira semana de escola. Mais equilíbrio, menos desassossego. A ideia de ter o rapaz longe de nós durante o dia deixou de ser uma preocupação. Há sempre esta ameaça constante dos surtos. Enigmas com os quais temos de viver sob pena de cairmos numa letargia e numa inércia indesejável. Fico em casa sempre ocupado no trabalho e talvez por isso não pense muito nas questões mais existenciais do momento. Interrompo uma reunião que já passava da hora para descer a rua em semi-círculo de trotinete. 10 minutos. Um calor abrasador às 3 da tarde e a criançada já à espera dos pais. Hoje, porque é preciso, do outro lado do recreio debaixo da sombra do muro. Nota-se pela cara deles que estão cansados. Calor a mais. Alguns provavelmente um pouco desidratados. O Piruças precisa de beber mais água. Disse que bebeu cinco copos de água na escola, mas isso é sempre pouco. É preciso convencê-los a beber mesmo quando não têm sede. Depois, claro, dói um bocado a cabeça, dói um pouco a barriga. Tudo sintomas de calor a mais e água a menos. Mas é normal. Todos nós ficamos um pouco tontos com este calor. O que importa é que podemos para no Tesco da esquina para comprar mais uma caixa de gelados. Chegados a casa, banho rápido de 25 graus, e cada um para o seu canto: ele para o vício preferido do iPad, eu para mais uma reunião. São assim as nossas vidas de trabalho-casa-escola.
Agora imagine-se o futuro próximo. Primeiro imagine-se a sexta-feira livre ou pelo menos a sexta-feira à tarde livre. Tempo para ir buscar o puto à escola mais cedo e tempo de vida para toda a gente. Imagine-se também não ter de o pôr em clubes só porque não conseguimos sair do trabalho mais cedo para o ir buscar. Clubes só pelo clube em si. Sair de casa cedo do trabalho para o ir buscar como uma regra e não uma excepção para continuar o resto do trabalho a partir de casa. Era disto que eu pensava que significava a apregoada flexibilidade do trabalho algumas semanas antes da quarentena. Bendita seja. Diziam que tal flexibilidade não era a mesma coisa e que tinha de constar no contrato (provavelmente para pagarem menos) mas depois disto tudo não me parece que esse argumento tenha significado algum. Imagine-se também eu a trabalhar a partir de casa na maioria dos dias e só aparecer no escritório para uma reunião ou outra que justifique a pedalada de bicicleta. Imagine-se isto tudo e mais tantas outras coisas que nos escapam agora. Não é assim tão difícil imaginar um mundo melhor do que este.
Agora imagine-se o futuro próximo. Primeiro imagine-se a sexta-feira livre ou pelo menos a sexta-feira à tarde livre. Tempo para ir buscar o puto à escola mais cedo e tempo de vida para toda a gente. Imagine-se também não ter de o pôr em clubes só porque não conseguimos sair do trabalho mais cedo para o ir buscar. Clubes só pelo clube em si. Sair de casa cedo do trabalho para o ir buscar como uma regra e não uma excepção para continuar o resto do trabalho a partir de casa. Era disto que eu pensava que significava a apregoada flexibilidade do trabalho algumas semanas antes da quarentena. Bendita seja. Diziam que tal flexibilidade não era a mesma coisa e que tinha de constar no contrato (provavelmente para pagarem menos) mas depois disto tudo não me parece que esse argumento tenha significado algum. Imagine-se também eu a trabalhar a partir de casa na maioria dos dias e só aparecer no escritório para uma reunião ou outra que justifique a pedalada de bicicleta. Imagine-se isto tudo e mais tantas outras coisas que nos escapam agora. Não é assim tão difícil imaginar um mundo melhor do que este.
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