Esta é a segunda semana de escola e nós já perdemos um pouco este medo miudinho de contágio. Sabemos que alguma coisa existe, mas não nos lembramos dela, da mesma forma que não nos lembramos de tantas outras coisas que nos podem preocupar. O mais estranho deste estado de coisas é vivermos sempre com dúvidas, hoje pensamos de uma forma, amanhã pensamos de outra. Hoje estamos um pouco preocupados com alguma coisa que vimos ou lemos, amanhã já esquecemos isso tudo para pensarmos noutras coisa diferentes. Não sei até que ponto é que podemos cometer erros quando tudo isto é uma roleta-russa. São jogos de sorte e azar, possibilidades que não se evitam, a não ser que vivamos as nossas vidas para sempre dentro de uma caixa abençoada por uma ideia de imunidade. Está mais que visto que vamos ter de nos habituar a este mundo cada vez mais incerto, e se calhar, a melhor forma de viver é aquela em que não se vive com medos, sejam eles qual for, porque o medo vai diminuir-nos e deixar-nos impotentes face aos poderes instalados e aos permanentes controlos invisíveis. Não podemos viver assim. Ter cuidados é uma coisa, ter medos daquilo que nos ultrapassa é outra. Há uma inevitabilidade que nos persegue, aquela probabilidade de roleta-russa, e há ainda a invisibilidade do acaso. Ou seja, qualquer contágio é sempre uma suposição potenciada por coincidências. Por exemplo, neste momento nunca saberemos se o risco vem da escola, do trabalho, da rua, do supermercado, dos vizinhos. Evitamos os transportes públicos, por exemplo, mas já outras coisas que não se podem evitar e não adianta nada pensar que vai ser desta ou daquela forma. É uma incerteza profunda.
Dentro da incerteza temos a simplicidade das rotinas. Hoje, segunda-feira, foi mais um dia a descer e subir a rua, de silêncio dentro de casa por algumas horas, o trabalho cansativo (sempre cansativo) porque a vida dos computadores nunca se posiciona muito bem na cadeira durante horas, e depois um relato raro da vida na escola. 'Primeiro ginástica e playtime, depois inglês, leitura. Dodge ball antes do almoço, sempre antes do almoço, e depois matemática, artes e prime time'. O almoço foi macaroni cheese com milho (menu de segunda-feira) e a sobremesa foi uma fatia de bolo de chocolate com açúcar em pó por cima e caramelo. Só isto já vale a pena. As coisas são normais dentro neste cenário de só metade de alunos na escola e a nós só nos resta aprender com eles. Temos de sair de casa de qualquer forma. Temos de procurar a fuga certa para este clima doentio. Temos de estar preparados. O mundo pode estar já um pouco diferente quando chegar setembro (para o bem ou para o mal, ou para os dois lados ao mesmo tempo, o habitual disto), já se nota uma certa ideia de imposição de rumos escolares para todos (há quem fale de multas para os pais que não levem os filhos para a escola em setembro - ridículo) e uma crescente ansiedade com a chegada do outono/inverno e de uma nova perigosa vaga para nos asfixiar as ideias e nos tornar meros autómatos deste novo mundo. Vamos ter de ser mais inocentes como as crianças e de aprender muitas coisas com elas.
Dentro da incerteza temos a simplicidade das rotinas. Hoje, segunda-feira, foi mais um dia a descer e subir a rua, de silêncio dentro de casa por algumas horas, o trabalho cansativo (sempre cansativo) porque a vida dos computadores nunca se posiciona muito bem na cadeira durante horas, e depois um relato raro da vida na escola. 'Primeiro ginástica e playtime, depois inglês, leitura. Dodge ball antes do almoço, sempre antes do almoço, e depois matemática, artes e prime time'. O almoço foi macaroni cheese com milho (menu de segunda-feira) e a sobremesa foi uma fatia de bolo de chocolate com açúcar em pó por cima e caramelo. Só isto já vale a pena. As coisas são normais dentro neste cenário de só metade de alunos na escola e a nós só nos resta aprender com eles. Temos de sair de casa de qualquer forma. Temos de procurar a fuga certa para este clima doentio. Temos de estar preparados. O mundo pode estar já um pouco diferente quando chegar setembro (para o bem ou para o mal, ou para os dois lados ao mesmo tempo, o habitual disto), já se nota uma certa ideia de imposição de rumos escolares para todos (há quem fale de multas para os pais que não levem os filhos para a escola em setembro - ridículo) e uma crescente ansiedade com a chegada do outono/inverno e de uma nova perigosa vaga para nos asfixiar as ideias e nos tornar meros autómatos deste novo mundo. Vamos ter de ser mais inocentes como as crianças e de aprender muitas coisas com elas.
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