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16.4.20

Será de mim ou anda tudo burro?

Mais de duas horas ligado à máquina, numa reunião desnecessária, conversa cada vez mais de umbigos, é sinal já de uma paranóia do vazio ou de uma absoluta falta de noção do que é o trabalho e do equilíbrio que este precisa a partir de casa. Fico stressado porque perdem duas horas a falar de coisas que só precisam de vinte minutos. Fico irritado porque tenho outras coisas para fazer que se vão amontoando ao final do dia. Fico fulo porque há bem pouco tempo andavam com tretas de dar mais flexibilidade a quem tem crianças em casa e isto é mais um stress de ter de estar ligado com uma criança aos pinotes à volta. No fundo, só nos querem ligados para justificarem o trabalho que não têm porque eles nem querem saber da nossa opinião para nada e preferem-nos com o microfone cortado. Eu até gosto quando o Pirucas interrompe e faz umas macacadas, mas o que eu queria mesmo era que eles sentissem o mesmo que eu, os ruídos à volta, as interrupções constantes. Para estes pseudo-managers é tudo uma questão de pedir para desligar o microfone enquanto eles se espraiam nas suas verborreias, mas para mim é tudo uma constelação de coisas desagradáveis quando tenho de participar nestas chamadas inúteis. Eles dizem-nos para fazer intervalos, fazer outras coisas, ir lá fora com o puto, mas no fundo eles fazem com que aconteça o contrário: cu alapado duas horas seguidas, adultos e crianças demasiado tempo de olhos postos nos ecrãs (o puto tem de se entreter com qualquer coisa quando invadem o nosso espaço doméstico), escravos de uma falta de noção do que é realmente o trabalho.

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