Hoje era dia de estarmos sentados nas cadeiras do Barbican a ver o concerto dos Lankum. Dois bilhetes comprados no início do ano para uma rara saída a dois (aproveitávamos o facto de avó estar por cá de férias para tomar conta do rapaz) para um daqueles concertos de música de emoções profundas que ambos iríamos gostar (sim, de vez em quando os nossos gostos encontram-se). Foi depois de ver este vídeo que veio um súbito 'quero ver isto' e uma pressa para comprar dois bilhetes antes que esgotassem. E a música foi tocando cá em casa ao ponto de o rapaz já saber cantar algumas (tal como eu, não liga muito às letras, mas apanha logo as melodias) e ao ponto de um dos melhores discos do ano passado começar a ganhar um estatuto raro: o de ganhar projecção para o ano seguinte. Isto tem muito a ver com o facto de muita boa música precisar que passemos tempo com ela, ao contrário de muita música má que já nos cansa do segundo verso. Mas também porque estamos a falar de uma música enraizada nas tradições irlandesas, emoções profundas, vozes que perfuram a carne até ao osso. Juntando isto a uma roupagem sofisticada com instrumentos eruditos, sonoridades cruas com bidões de plástico com pedras dentro, e drones de harmónio, temos a música do nosso tempo. Para tornar tudo ainda muito mais especial iríamos também ver no palco a recém convidada Shirley Collins que é tão só a maior lenda viva da folk tradicional inglesa. Iria ser um dos melhores, tenho a certeza.
15.4.20
Lankum
Hoje era dia de estarmos sentados nas cadeiras do Barbican a ver o concerto dos Lankum. Dois bilhetes comprados no início do ano para uma rara saída a dois (aproveitávamos o facto de avó estar por cá de férias para tomar conta do rapaz) para um daqueles concertos de música de emoções profundas que ambos iríamos gostar (sim, de vez em quando os nossos gostos encontram-se). Foi depois de ver este vídeo que veio um súbito 'quero ver isto' e uma pressa para comprar dois bilhetes antes que esgotassem. E a música foi tocando cá em casa ao ponto de o rapaz já saber cantar algumas (tal como eu, não liga muito às letras, mas apanha logo as melodias) e ao ponto de um dos melhores discos do ano passado começar a ganhar um estatuto raro: o de ganhar projecção para o ano seguinte. Isto tem muito a ver com o facto de muita boa música precisar que passemos tempo com ela, ao contrário de muita música má que já nos cansa do segundo verso. Mas também porque estamos a falar de uma música enraizada nas tradições irlandesas, emoções profundas, vozes que perfuram a carne até ao osso. Juntando isto a uma roupagem sofisticada com instrumentos eruditos, sonoridades cruas com bidões de plástico com pedras dentro, e drones de harmónio, temos a música do nosso tempo. Para tornar tudo ainda muito mais especial iríamos também ver no palco a recém convidada Shirley Collins que é tão só a maior lenda viva da folk tradicional inglesa. Iria ser um dos melhores, tenho a certeza.
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