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14.4.20

A minha vontade de ser minimalistas vs a minha vontade de fazer mil e uma coisas num dia só

Chega a minha meia hora de palavras e não consigo escrever nada daquilo que eu me lembrei de dizer durante o dia. Não só me esqueci, como também entrei já naquela hora em que todas as ideias estão adormecidas e sossegadas na inércia. As melhores ideias surgem de manhã quando tenho que picar o ponto em modo remoto, entrar em mais uma daquelas reuniões tipo Skype em que se perde uma hora para dizer aquilo que pode muito bem ser dito em quinze minutos. E depois lá tenho eu de entrar num ritmo demasiado desassossegado para apanhar o atraso e cumprir as tarefas do dia. E é nestes momentos que as melhores ideias aparecem. Um apontamento sobre uma música ou um disco: uma vontade já antiga de escrever coisas sobre objectos do quotidiano, aquelas coisas às quais nos agarramos todos os dias, seja um par de auscultadores ou uma palheta de guitarra. Poderia fazer uma lista destas coisas e experimentar um jogo de palavras original para um novo projecto de escrito. Mas agora já é tarde e o comboio já passou. O tempo é todo passado em casa mas ainda não consegui ler nada da revista WIRE que chegou hoje. Também não encontrei intervalos para esticar as pernas e exercitar as yogas do dia. É uma falta de tempo que irrita porque não é bem falta de tempo. É mais a nossa cabeça que guarda muitos afazeres no nosso dia-a-dia, um excesso de informação e uma crença numa imensidão de possibilidades num dia só. Esquecemo-nos muitas vezes que o nosso tempo também é feito de silêncio, de paragens, de observações, de uma coisa que se chama tédio. Com sorte, apanho uma nova carruagem e deixo de escrever estas coisas para escrever outras muito mais interessantes e fora deste mundo de agora.

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