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5.12.19

Hoje vimos a avenida sem carros, uma avenida aberta pela luz do sol a reflectir no asfalto negro e um ruído na distância que era quase silêncio

Descer a rua a pé para a escola tornou-se um hábito. Cortamos caminho por baixo do prédio, atravessamos a passadeira e vamos caminhando rua fora à frente dos autocarros parados no trânsito. Tem chovido pouco e o frio não nos detém. Tudo é melhor quando sabemos que não vamos chegar atrasados porque o autocarro ficou parado num vermelho ou esbarrou na imbecilidade de andarem a limpar as ruas em hora de ponta.
Mas há alguns inconvenientes nesta caminhada. Pelo menos três: primeiro, temos de andar sempre atentos ao trânsito quando atravessamos as ruas, todo o cuidado é pouco na Kilburn High Road; segundo, muitas não conseguimos ter uma conversa porque não nos conseguimos ouvir com o ruído dos carros e com barretes enfiados na cabeça (enquanto o rapaz fala eu vou dizendo 'ya' apesar de não entendido nada da história da branca-de-neve que ele estava a explicar hoje); terceiro, temos de passar sempre para o lado esquerdo porque ele não gosta do cheiro quando passamos em frente ao talho - por muito que eu lhe explique que eu ia buscar carne ao talho quando era pequeno ele não entende, e muito menos entende porque é que se vendem animais mortos.

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