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27.11.19

Eu agora nunca me lembro de escrever sobre coisas que não têm importância nenhuma, mas se calhar tem importância escrever sobre coisas que não têm importância nenhuma

O tempo abriu um pouco na viagem entre Kilburn e Kensington. Porque passei a viagem a ler dentro de um autocarro embaciado, parece que acordei num dia diferente. Por momentos pensei que estava num lugar diferente, mas quando dei por mim era o mesmo cenário de escritório, as mesmas vozes da manhã, os ecos de louça e talheres no grande átrio de café/cantina. Os cheiros são de pequeno-almoço: algures entre o agradável cheiro a torradas e café e o enjoativo ketchup por cima de ovos escalfados. A náusea disto abre portas a outros reflexos emotivos de cantinas de escola e de hospital. Eu só me atrevo ao pequeno-almoço aqui quando é de graça à sexta-feira, mas já há muito que desisti do feijão, dos cogumelos gigantes, dos bacons, das salsichas. O meu pequeno-almoço é sempre continental-europeu com a fundamental aveia anglo-saxónica.

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