Não houve um dia desta semana em que o Piruças não tenha acordado, precisamente, às 6:30. Parece um relógio ambulante a caminhar de pernas pesadas para o nosso quarto, a instalar-se irrequieto entre nós: "vamos jogar um jogo". Jogo nenhum. Em retaliação, abre as pernas e os braços de x em x segundos, ocupando todo o espaço de duas camas juntas. Não adianta dizer-lhe "não" mil vezes. Nem adianta desviar o corpo para a extremidade do colchão. Ele atravessa-se todo, não se cala. 6:30. Preciso de uma invenção que abra automaticamente o espaço entre as camas, um dispositivo que faça descer um gradeamento à volta delas, à prova de som, de preferência e, em último recurso (caso ele comece a levantar-nos no ar com os pés), um tapete mágico que o arraste novamente para o quarto dele e que o cole à cama, tal como fazem os tipos do Extinction Rebellion que se colam a edifícios e comboios. É só uma ideia. Mas os iPads já fazem tudo isto, não é?
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