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17.2.19

As ideias para uma visita guiada ao mundo das artes

Entra-se numa sala de uma galeria, instalações de vídeo, cerca de seis televisores diferentes, cada um numa sequência diferente de uma série de várias horas de vídeos. A primeira pessoa que entra observa a instalação, a forma como o espaço está ordenado; olha para os objectos, meras televisões como objectos artísticos. Coloca um par de auscultadores e escuta algumas frases e alguns sons de um vídeo ao acaso. Não tem tempo de o compreender. Os vídeos são apenas ornatos dos objectos. Essa pessoa tira o iphone do bolso e tira uma fotografia, envia-a para o Instagram e já pode dizer que é uma pessoa das artes (fotografias de pratos de comida só mesmo quando estes são obras de arte), que vive uma vida interessante, que existe. Tem pessoas amigas que dizem que gostam da fotografia com os habituais símbolos de corações, mas ela acrescenta num comentário que não gosta muito da exposição. Ninguém lhe perguntou nada, mas ela faz questão de dizer que não gostou. Não sabe bem dizer porque não gosta, mas o filme no grande écran era bastante escuro e incompreensível. Já viu coisas melhores em vídeo. Narrativas que revelam genialidade logo nos primeiros dois minutos. A sala com as televisões está muito vazia, não faz muito sentido. Os vídeos não parecem interessantes.

A segunda pessoa entra na sala e vê tudo em poucos minutos, espreita os textos e disponíveis, e percebe que não pode ver e muito menos entender a exposição num par de horas. Vê um dos vídeos por inteiro (cerca de 15 minutos) e conclui que tem de regressar noutro dia (ou noutros dias) para poder ver os restantes da lista. Alguns nomes dos artistas soam-lhe familiares, outros são desconhecidos. Não consegue dizer se gosta ou não porque não entende estas coisas pelo gosto. São objectos de estudo que podem merecer atenção. Imagens, sons, palavras, textos, narrativas. Gostando mais ou menos não lhe faz diferença alguma. Ela está ali para absorver aquilo, entrar no espaço com alma e não como um turista dos museus e das galerias. Tirar fotografias àquilo não lhe passa pela cabeça, não faz sentido algum. Abre um pequeno caderno que traz sempre no bolso e tira alguns apontamentos.

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