13.12.18
Sexo, mentiras & vídeos
A mediocridade educativa em casa é algo que atravessa diferentes classes sociais, crenças religiosas e culturas. Parece tudo muito lindo, tudo muito aprumadinho e arrumadinho, meninos e meninas muito bem comportados, sempre com as palavras certas, os obrigados e essas coisas todas, mas bem lá no fundo existe uma atitude ultra-conservadora que tende a querer manipular a forma como toda a gente pensa ou deve pensar. Nós não vamos nessa. Tentamos fazer o nosso melhor, umas vezes muito bem, outras só mais ou menos, mas felizmente temos cabeça para pensar. Isto a propósito de um grupo de Whatsapp de pais das crianças da escola ao qual eu aderi para, de certa forma, facilitar informações relativas à escola. Ora, nestes tempos de redes-estupidamente-sociais as pessoas nunca sabem distinguir o preto do branco (e também não sabem escrever) e começam a abusar da simplicidade tecnológica para abordar outras questões. Ontem houve alguém que se lembrou de partilhar um vídeo da comunidade muçulmana sobre a educação sexual das escolas, dizendo, entre outras coisas, que na escola se mostram filmes de teor sexual a crianças de quatro anos e que lhes dão cartas de amor a crianças do mesmo sexo como exercícios de sala de aula. Bastou-me escutar dois minutos para perceber que era mais um daqueles discursos deturpados (típico das religiões mais conservadoras) para gente deturpado que se diz não-homofóbica sem sequer entender o que isso é. Tipo, dizer que não descriminam homossexuais mas que eles devem ser tratados e que as escolas ao ensinarem estas coisas estariam a inculcar as ideias nas crianças. Uma porrada de mentiras, preconceitos e deturpações. Lógicas ridículas. E alguém a deixar comentários a dizer que concorda muito e que sem amor não existe sexo e bla bla e que nesta idade não se deve ensinar nada dessas coisas. Ora, eu também deixei um comentário a dizer que não concordo nada e aproveitei para deixar o grupo. Não quero ter nada a ver nem perder o meu tempo com esta gente.
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