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28.12.18

2018, odisseia no espaço

1. 2018 é o último ano de uma odisseia de apontamentos num caderno de cinco anos intitulado 'some lines a day': um parágrafo por dia com cerca de 600 caracteres. Foi-me oferecido pela dupla G&J há cinco anos (obviamente) e tem sido um hábito muito positivo. Passei mais tempo com ele este ano porque decidi copiar tudo para um registo digital (ninguém vai perceber a minha letra, nem eu às vezes) para o caso de algo correr mal e eu perder o caderno. É um exercício que aconselho a qualquer um. Porém, não vou comprar um novo caderno. Não porque não queira dar continuidade à ideia, mas sim porque vou precisar desse tempo para escrever outras coisas e se eu fizer os meus apontamentos directamente no computador, telemóvel, blog, etc consigo poupar algum tempo. Claro que isto não significa que eu não anda com um caderno atrás de vez em quando. Só não quero é ter de o fazer todos os dias quando tenho outras formas mais pragmáticas de guardar estes registos diários - simplenote e momento, por exemplo.

2. Compramos uma televisão. Depois de tantos anos sem ligar puto ao aparelho (porque seria preciso pagar uma licença, praticamente só para a ter) eis que me deu para tentar tornar a sala um pouco mais um lugar-comum (e nisto as televisões podem ter um papel positivo) com uma Sony de 32 polegadas, toda hi-tech. Para isto muito contribuiu o avanço tecnológico que permite não só ter uma televisão ligada à internet (não é necessário ter licença para ver programas do Amazon ou do Netflix) como também ter uma boa máquina (pelo menos para nós) por um bom preço. Continuamos a ser muito pouco aficcionados às aventuras televisivas mas já podemos ver filmes juntos. Por enquanto só coisas muito abonecadas porque o Piruças tem medo de qualquer vilão de desenho-animado. Fiquei entusiasmado ao ponto de comprar um Fire Stick da Amazon (porque estava em desconto), mas a televisão já vem com as apps que usamos (Amazon e Netflix), por isso só me resta ficar a conversar com a Alexa sobre o tempo.

3. No verão fomos amaldiçoados por uma praga de percevejos que fez com que virássemos a casa do avesso. As picadas começaram a aparecer em julho, no pico do calor (foi um verão quente), e só terminaram em setembro. Deitámos a cama fora (o estrado meio empenado já não nos servia), comprámos uma máquina de limpeza a vapor e gastámos uma pipa de massa com uma visita já um pouco extemporânea dos extereminadores do council (dois tratamentos com um produto barato custaram 250 mocas). Disto tudo sobraram algumas coisas positivas: aprendemos um pouco mais sobre percevejos (sabemos melhor como dar cabo deles), temos uma cama e um colchão novo e só com muito azar é que os vamos ter novamente. Sim, porque é tudo uma questão de sorte ou azar. O truque está na fita-cola e nalguns conhecimentos de química.

4. Numa manobra artística nada em sintonia com o hino rockeiro "hey hey my my" (mais precisamente com o verso "it's better to burn out than to fade away), gravei uns rascunhos de canções e outras ideias sonoras para filmes imaginários. Ninguém as ouve. Mas isso não importa. O que importa aqui é só deixar um registo destas composições. Está no Bandcamp. Também para o Bandcamp vai também um par de gravações de improvisos com o Filipe e o Moutinho, num lugar também improvisado no retiro rural de Carreira. Fiz as edições (ou o corti-cose) entre setembro e novembro e o resultado está a ser estudado para uma provável publicação no início de 2019.

5. A prática de yoga e meditação continua a ser um hábito dos nossos dias da semana. Eu vou lá em média três vezes por semana e os resultados são evidentes: uma maior flexibilidade e gestão física; um sistema imunitário muito mais fortalecido (uma só constipação, que passou rápido - nada comparável às constipações e alergias mensais que eu costumava ter; uma maior sintonia com a inteligência corporal e com as emoções. Para isto muito contribuiu a leitura do Erro de Descartes do António Damásio que permitiu uma compreensão muito mais científica destas coisas. Claro que a vida do ashram está um pouco mais imbutida em suposições religiosas, mas isto passa-me um pouco ao lado. Ainda assim, as crenças budistas são as mais inteligentes e menos dogmáticas de todas as outras.

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