10.1.17
Homesick
Hoje foi mais difícil do que ontem. Não se queixou muito para sair de casa, nem fez qualquer birra. Porém, assim que chegamos à porta da creche, depois da habitual pedalada rua abaixo, o Piruças encostou-se à parede e não quis entrar. Dizia que não queria e fazia uma cara muito triste. A Maria lá insistiu, mas ele nada. Só entrou quando peguei nele ao colo e disse que ficava um bocadinho, embora ficar um bocadinho nunca seja boa solução. Já lá estavam quatro amigos/as mas ele não queria saber deles para nada. Sentei-o junto ao tabuleiro dos animais de inverno; lobos, ursos, pinguins, num mar de açúcar e cubos de açúcar. Tentava-se criar algum entusiasmo com a construção de um iglô. Mesmo assim, era uma cara triste, braços caídos, mão na minha mão, a dizer muito baixinho que não queria ficar. Só me lembro destas tristezas pós-férias quando ele era muito pequeno e ficava a chorar como um desalmado. Mas agora ele ficou a chorar baixinho, sem birra, só mesmo com aquela tristeza de não querer estar ali e de querer passar o resto da semana de férias, tal como nós todos gostaríamos de fazer, não ter de trabalhar, não ter de procurar emprego, fazer só coisas divertidas. A temporada pós-férias não é nada fácil.
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