17.12.16
O Piruças acordou há uma hora atrás. (Aqui vê-se a necessidade de se escrever, ou dizer, o redundante "atrás" porque na forma verbal pode ser entendido como "à uma hora". Infelizmente o nosso agá é mudo, ao contrário do dos ingleses). Hora do costume, embora ele às vezes se estique para depois das sete. Acordou bem disposto e com energia suficiente para negociar connosco uma boa hora de iPad em troca de mais uma hora de cama, mesmo sem poder dormir mais. Às 6 e 40 ainda é muito noite (o dia só começa a nascer por volta das 7 e meia) e abrir os olhos tão cedo leva-nos a uma questão: como preencher tantas horas do dia? Certamente com muita coisa para arrumar e tanta outra coisa para fazer. São cinco dias até às férias, se bem que as minhas 'férias' começaram hoje porque ontem deixei o trabalho que me consumiu durante três meses. Fiquei confuso com tanta gentileza dos colegas mais próximos e prendas-surpresa que me parecem tão obscuras como desnecessárias: um computador portátil de brincar para o Piruças que já vinha com pilhas enferrujadas dentro; uns óculos 3D de meter o iPhone dentro que devem ter sido desencantados de uma loja de monos e com os quais eu não me dou; e uns cartões e caixa de chocolates (isto sabe bem). O mais impressionante foi ter uma aluna que chorou desgraçadamente. Fiquei triste, mas também confuso. Alguma coisa está mal naquele lugar, e neste mundo, quando a aluna mais simpática, mais gentil e, no fundo, mais normal, chora assim. De um lado temos as pestes (a maioria delas são pestes) que vivem como parasitas do mau comportamento e do outro há uma minoria, muito minoria mesmo, que nos fazem acreditar que, afinal, nem tudo está perdido. Mas está. Porque não é nada normal ver esta disparidade de reações (tanto drama!) em apenas três meses.
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