3.6.16
Ritual Tejo
É tudo uma questão de rotina e de rituais. Primeiro disse-lhe que íamos lanchar ao parque dos frogs - banana e maçã no saco, com sorte duas bolachas - e assim que lá chegámos sentamo-nos numa mesa baixa com tampo e bancos em forma de folha. Comemos a fruta e depois ele foi levar as cascas ao lixo. Depois viu uma menina a correr descalça na relva e quis fazer o mesmo. Ele registou isto no dia em que aconteceu e agora é um ritual a cumprir juntamente com todos os outros: o ter de ir ao jardim de uma casa que tem muitos bonecos, uma espécie de presépio de jardim com animais e gnomos, para por de pé os que caíram (é uma invasão de propriedade, mas é também um serviço prestado ao vizinho desconhecido); o ter de apanhar daquelas plantas conhecidas por "o teu pai é careca?" e soprar; o ter de se sentar num muro da esquina durante uns minutos só porque um dia nos sentámos lá um dia os dois para uma fotografia à nossa sombra. Todos estes rituais são para cumprir nas nossas visitas ao parque dos frogs. Mas o melhor ritual de todos foi o ter começado a ir na bicicleta dele pelo passeio. As minhas costas agradecem.
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