11.6.16
Pequeno almoço reforçado, please
Não tenham filhos. Se querem ter uma manhã descansada de sábado, não os tenham. Se querem continuar a espreguiçar lentamente enquanto rastejam os pés pela casa. Se querem preparar o pequeno-almoço em sintonia com os sons dos pássaros lá fora e não uma choradeira interminável por causa de uma banana que não era para cortar, e que depois já era, e que depois já não era outra vez. O stress a aumentar. A paciência a esgotar-se. Os cabelos brancos a eriçar. As rugas a ganharem um relevo desmesurado. Toda a manhã a despedaçar-se aos bocados quando, sem filhos, se estaria a tomar um café numa esplanada qualquer, a ler um livro, o jornal, a ver quem passa. Provavelmente a colocar ideias no sítio. Com filhos não há hipótese de se ter as ideias no sítio, nem emoções, nem pensamentos, nem nada. Há brinquedos espalhados por todo o lado, migalhas, papeis rasgados. Tudo fica fora do sítio.
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