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3.3.16

No quiero

De manhã: na curta caminhada entre casa e a paragem de autocarro mais próxima, Piruças no colo do daddy, está frio, Piruças abraça o daddy (não só protege do frio como também dá melhor balanço e menos sacrifício das costas):
"O Piruças gosta do daddy?"
"Yes"
E sem contar:
" No quiero a mamã"

À noite: o daddy conta o episódio à mamã. Ela fica triste, mas estas coisas têm de se dizer. O Piruças escuta a conversa, chega-se à mamã com um sorriso malandro e diz:
"No quiero o daddy"
Repete:
"No quiero o daddy".

A lógica do "quem gostas mais" é das mais comuns nestas coisas de infância. Muito atribuída a uma ciumeira de pais e para muitos uma coisa sempre divertida (não percebo a piada, mas pronto) de perguntar às crianças porque eles nunca sabem muito bem o que pensar ou dizer. Mas nós nunca sequer nos lembramos sequer de dizer esse tipo de coisas. Das duas uma: ou são coisas que eles aprendem uns com os outros na creche (talvez os primeiros padrões de lógica: se quero isto, não quero aquilo) ou, de facto, já vêm pré-programados.

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