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12.2.22

Peripécias eleitorais no estrangeiro

Lembrei-me agora que enviei uma fotocópia do meu cartão de cidadão caducado juntamente com o meu voto por correspondência. Era a fotocópia que já tinha enviado da outra vez e que me tinha sido devolvida. Nem sequer me tinha dado ao trabalho de ler os detalhes, até porque com tudo isto da pandemia perdi um pouco a noção do tempo e dos calendários anuais. Assim sendo, das duas uma: ou o tipo que abriu o meu envelope não se deu ao trabalho de ler e considerou o voto, ou então mandou o meu voto para o lixo juntamente com os restantes 80 e tal por cento dos votos que foram rejeitados por não terem sido acompanhados pela fotocópia do cartão. Isto levanta uma série de questões (agora que estou a ouvir o Programa Cujo Nome...) sobre a necessidade de enviar a fotocópia porque, supostamente, nalguns países é ilegal tirar fotocópias dos cartões (coisa que obviamente não faz sentido algum porque qualquer pessoa por usar um telemóvel para copiar documentos e colocá-lo na internet em poucos segundos). Mas a minha questão é outra: porque raio é que eu tenho de revelar a minha identidade num voto que é supostamente secreto? Está certo que o envelope com o voto pode ser separado do cartão ainda fechado, mas quem é que me garante isso? Há que mudar isto do voto por correspondência, cheira a mofo com tanta tecnologia sofisticada.
Porém, nem tudo parece estar perdido. Leio uma noticia que os cartões caducados até 2 anos seriam aceites porque, veja-se lá a tristeza, os consulados não estavam a operar a 100% durante as quarentenas. Ora, os consulados nunca operam a 100% em circunstância alguma. Com ou sem pandemia, renovar seja o que for no consulado é sempre um filme desgraçado e isto só revela mais uma desculpa para o mau funcionamento dos consulados. O de Londres pelo menos, que é aquele que eu conheço. Assim, com sorte o meu voto foi entregue, mesmo com um cartão de cidadão de outro tempo.

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