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27.6.21

O elixir da eterna juventude

A ideia de ter idade vem um pouco com o futebol porque eu olhei sempre para os jogadores de futebol como tipos mais velhos do que eu. É a partir dos 30 que eles começam a ficar velhos, mas eu nunca me senti velho nos meus trintas. Mesmo agora nos quarentas não vejo qualquer distância e caio na mesma ilusão de ter ainda pouca idade e de me sentir jovem. Olho para o Cristiano Ronaldo, seis anos mais novo do que eu, e vejo um tipo da mesma idade que eu. Olho para o Pepe, ele já sem cabelo e com rugas secas, e vejo-o muito mais nos quarentas do que eu. Continuo a sentir-me a fazer carreira algures, embora esteja bem consciente de que a partir de certa idade a velocidade já não é a mesma e as pernas já não aguentam tantos minutos dentro de campo. Talvez seja por isso que o futebol continua a ser fantasia. Porque fiquei parado no tempo, quer como menor de idade a olhar para jogadores adultos, quer como jovem de vinte anos a vibrar com as emoções dos anos 1990. No fundo, o futebol desancora-me da idade. Não sei se isto vai durar para sempre. Talvez chegue aos cinquenta assim de repente, num salto repentino desta ilusão de idade para um olhar abismal daquele que eu serei a partir de 2030 para os putos da bola do futuro que nem adolescentes são agora. Penso que começo a perceber isto aos poucos sempre que vejo um jogador do meu tempo - o Paulo Sousa, o Rui Costa, o Figo - de cabelos brancos, enrugados e gordos.

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