A escola reabre amanhã. Dois meses depois do natal, da passagem de ano e de todas as promessas de que tudo iria ficar bem. Dois meses que deixam algumas marcas no estado das coisas. Entrámos em modo-sobrevivência e fomos buscar aqueles dispositivos que só se usam em estados de emergência para conseguir lidar com o stress e a ansiedade. O cansaço é muito e decerto que vai demorar pelo menos dois meses a recuperar. É o cansaço da ausência de fronteiras entre a vida doméstica, o trabalho e a escola. Os dois primeiros já são difíceis (vai fazer um ano), com o terceiro é andar sempre no limite. Amanhã saberei novamente o que é estar sozinho em casa. Resta saber é durante quanto tempo. Nada nos garante que tudo não feche novamente. Tal faz parte das mil e uma incertezas com as quais temos de viver nos tempos que correm. Detesto incertezas. Já me bastam as que tenho todos os dias em todas as pequenas coisas e nas outras mais ocasionais. A incerteza transformada num estado permanente é um cenário horrível para os ansiosos por natureza.
Interessante foi também ler hoje no jornal que houve um aumento de tiques entre as adolescentes que até já se tornou (obviamente) uma moda nas redes sociais. São os tiques provocados pela ansiedade da quarentena, pelos estados obsessivos, medo, insegurança, preocupação e outras emoções próprias da idade. Ao que parece, ter tiques é comum nos rapazes a partir dos sete anos e talvez isso explique a obsessão do rapaz com o nariz (sempre com o dedo na narina e sempre a assoar em seco, como se ter uma narina tapada não fosse coisa normal num inverno fechado em casa) e com os dentes (sempre com o dedo no lado direito dos da frente, como se os dentes o tivessem a incomodar por serem demasiado grandes para a boca). Tal não parece ser um grande problema entre os rapazes adolescentes porque estes tendem a socializar com jogos online. Mas por aqui também dá para inferir a obsessão crescente com o Youtube e vídeos de gamers sobre o Super Mário. Atenção, não é vício de jogo, mas sim uma necessidade de ouvir alguém a falar sobre jogos. Claro que nem tudo se perde. Se por um lado existem estas obsessões, aconteceu um pouco o inverso de ir até ao parque e fazer amigos, coisa que praticamente nunca acontecia aqui há uns tempos. O que os pais podem fazer? Não dar importância, diz o artigo. Ao que parece, os tiques desaparecem por eles.
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