O apetite dos ingleses por telenovelas mediáticas é tema recorrente. Da família real sei muito pouco e interesso-me na mesma medida, mas como apreciador do melhor da música pop não consigo deixar de recordar a campanha feita contra Yoko Ono, eterna feiticeira acusada de ter arruinado dois casamentos, um deles entre quatro marmelos que faziam a música mais vendida da época. Era ela a figura presente em todos os ensaios do grupo, inseparável de Lennon, e diabo esganiçado no ouvido de Lennon. Em boa medida humorística de uns Python, ela seria a bruxa na balança a ser comparada com patos e pedrinhas pequeninas. Ouvi muito sobre essa estória como se ela fosse ninguém. Só mais tarde é que aprendi que a Yoko Ono era uma artista que pertencia e pertence a um grupo de artistas de vanguarda, um círculo de pessoas que os Beatles sempre fizeram questão (e muito bem) de ter por perto. Ora, o que é preciso mesmo levar a sério é o preconceito: mulher não inglesa, japonesa com sotaque distinto. Isto a propósito da mais recente telenovela inglesa. É mais do mesmo.
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