Diz ele que é um perfeccionista enquanto arranja o lençol e a coberta e amontoa a bonecada no canto da cama. É um ritual. Exercício obrigatório para adormecer depois da leitura de mais dois livros do Mr Men e dois ou três capítulos de um livro chamado Slime. Dia sim, dia não. Agora que as bibliotecas estão fechadas, podemos fazer download de livros digitais. Portanto, livros não faltam. A grande vantagem é poder ler muitos sem ter andar com eles às costas. O que nos faz falta, no fundo, é só a visita à biblioteca. Uma caminhada, uma procura dos melhores livros, alguma leitura durante a procura, o esforço em fazer algum silêncio. No fundo, um ritual de sábado à tarde que deixou de ser possível em tempos de covid. Assim sendo, não é de estranhar a substituição de uns rituais por outros, ainda que não pareça fazer muito sentido a troca de um monte de livros por um monte de bonecos de peluche.
Importante a assinalar é o facto de existirem bibliotecas, lugares especiais que pouca gente usa e onde podemos (ainda!) encontrar bons livros gratuitamente, sejam eles em papel ou em formato digital. Num tempo em que se discute tanta coisa no mundo e se debate as questões básicas dos bens gratuitos, as bibliotecas parecem ser o autêntico reduto do lugar comunitário, do bem público e da verdadeira democracia da cultura. Elas estão vivas porque, no fundo, existem. Se fossem inventadas agora, ou seja, se nunca tivessem existido e se viesse agora alguém com essa ideia brilhante de criar um espaço de leitura livre, esse alguém seria considerado um maluquinho socialista-comunista-anarquista de ideias radicais. Mas as bibliotecas existem e foram inventadas noutros tempos. Perduram no tempo, são instituições. Convivem plenamente num mundo de livrarias, Amazon e indústria livreira de pendor comercial. São nossas, de toda à gente.
Importante a assinalar é o facto de existirem bibliotecas, lugares especiais que pouca gente usa e onde podemos (ainda!) encontrar bons livros gratuitamente, sejam eles em papel ou em formato digital. Num tempo em que se discute tanta coisa no mundo e se debate as questões básicas dos bens gratuitos, as bibliotecas parecem ser o autêntico reduto do lugar comunitário, do bem público e da verdadeira democracia da cultura. Elas estão vivas porque, no fundo, existem. Se fossem inventadas agora, ou seja, se nunca tivessem existido e se viesse agora alguém com essa ideia brilhante de criar um espaço de leitura livre, esse alguém seria considerado um maluquinho socialista-comunista-anarquista de ideias radicais. Mas as bibliotecas existem e foram inventadas noutros tempos. Perduram no tempo, são instituições. Convivem plenamente num mundo de livrarias, Amazon e indústria livreira de pendor comercial. São nossas, de toda à gente.
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