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20.11.20

Não há um bom dia de quarentena sem uma visita ao Consulado

07:14
Adormeci a pensar em trabalho, acordei a pensar em trabalho. Coisas que um fim-de-semana (à porta) apenas não consegue resolver. É preciso fazer gazeta ou embrulhar tudo muito bem num pacote e meter debaixo da secretária de alguns. Estou cansado da displicência e do mecanismo balofo dos outros.

09:02
No fundo, tudo isto vai parar ao egoísmo das pessoas, seja na rua, seja no local de trabalho. Vivem dentro de uma bolha. Tentam disfarçar, mas vivem dentro de uma bolha. Sempre num disfarce de quem se preocupa muito com as coisas, mas são só palavras que saem, mais nada. E eu fico neste limbo do politicamente correcto. Aponto todas as coisas que quero dizer e digo-as da melhor forma que posso. O bom ouvinte percebe. Os egoístas fingem e depois aparecem com ideias que distorcem o fundamental.

15:47
Foi uma visita rápida ao Consulado para levantar o meu novo cartão de cidadão. Rápida como tem de ser. Mas a rapidez não significa um esforço de organização. Esta só existe por causa da pandemia. Livres do habitual cenário de pedidos burocráticos, só têm de operar com uma sala quase vazia. Há males que vêm por bem. O que também há mais agora são seguranças. Todos com cara de burgesso, a fingir que fazem alguma coisa. Típico português tasqueiro convencido da sua importância e do seu contributo para a causa nacional em tempos de pandemia. Estão lá todos. O engravatado arrogante a espreitar a funcionária mais jeitosa. Provavelmente um licenciado em direito com devida progressão de carreira nas cunhas diplomáticas. Sentado a um canto a conversar. Máscara a cobrir apenas a boca. Mas isto são amostras costumeiras. O mais interessante foi ver um funcionário todo lambido a fazer um sotaque espanholado quando conversava com um brasileiro. Arrogância burocrática do “eles não percebem”.

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