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5.11.20

Hoje é o primeiro dia do resto da quarentena

O primeiro dia da quarentena veio com nevoeiro e um ambiente de rua adormecido. Cidade semi-fantasma que acorda para um mundo estranho. Os supermercados estão abertos e há o trânsito do costume de pessoas e automóveis para os locais de trabalho e para as escolas. Mas falta aqui qualquer coisa. Faltam os barbeiros, os cafés, o pulsar das pessoas que acordam sempre mais cedo. Tiro algumas fotografias ao cenário: cidade que nunca acorda, silêncio nos edifícios. Volto para casa em passos de fantasma e sento-me no chão do quarto a respirar as primeiras impressões disto tudo. Mais um mês, dizem eles, quando sabemos que um mês não chega. Vamos continuar nisto durante meses ou anos. Sempre à espreita de uma frincha no nosso espaço metafísico.

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