6.5.20
Os dias começam a ser cada vez mais difíceis
Já não há forma de contornar este estado de coisas sem uma fuga para um espaço aberto, bem longe de casa, dos computadores, destas conversas estanques. Preciso de rever as ideias, de encontrar novas fórmulas, de pensar fora da caixa. A conversa no zoom de escola de hoje era sobre professores e robots, mais propriamente se aqueles podem ser substituídos por estes. O Piruças foi o único que respondeu que sim (e com razão) mas depressa a maioria prevaleceu com argumentos superficiais, sem verdadeira noção do que pode ser possível com inteligência artificial. Eu não disse nada, nem poderia. Só fico ali de corpo presente à espera que a chamada acabe para entrar noutra semanal do ofício. Na do ofício fiz o mesmo, não disse nada. Por momentos fiquei confuso porque aquela reunião de gente miúda parecia mais séria do que a de gente graúda. No fundo, porque a gente miúda estava a ter uma conversa de adultos e a gente graúda estava a falar de coisas do ego, "ai eu fiz uma pintura" e "eu vi um documentário artístico muito interessante" e "eu descobri que há músicos de jazz que tocam flauta que é o instrumento que eu ando a aprender". Tirem-me deste filme. É insuportável.
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