16.5.20
O sumário de um fim-de-semana desmaiado neste tempo esquisito
Sábado. Eu e tentar encontrar um rumo nesta amálgama de ideias, qualquer coisa que me dê algum alento nestas quebras de rotina. Faço alguns rascunhos. Reflicto nalgumas coisas que me têm ocupado o tempo-livre: o regresso da gutta-percha como plataforma de ideias sonoras-experimentais no bandcamp (já tenho três ou quatro peças para publicar); uma ideia de composição de fields recordings com música concreta recuperada dos meus arquivos sonoros (de que vale acumular tantas gravações sem as publicar?) - outro oficio para o bandcamp com o título corti-cose; uma outra recuperação de gravações em vídeo para peças curtas ou extractos de momentos gutta-percha ou corti-cose, quiçá pequenas estórias visuais inspiradas nos meus parágrafos dos cadernos pretos. Nos intervalos tenho este momento de escrita que funciona como uma espécie de diário (O Estrugido) e um outro com reminiscências puramente musicais-sonoras (A otobiografia do Piurso em fragmentos) onde quero (se a vida me ter tempo) contar todos os momentos associados à minha discografia, aos meus sons, às bandas, aos projectos. É sempre muita coisa, demasiada coisa para o pouco tempo que temos, daí o nunca perder tempo com os perfeccionismos. Nada de grandes estudos gramaticais (os textos saem como saem), nada de gravações sem ruídos (são sempre improvisos), nada de vídeos sem imagens desfocadas e tremidas. Não é um discurso anti-isso. É mais um modus operandi concreto. O que é preciso é desviar as distrações, as procrastinações, esta coisa de estar sempre a olhar para outro lado, esta vontade de comprar um gravador portátil decente (o meu pequeno gravador é de uma linhagem muito amadora que não permite mais do que uma pista) ou um iPad dos grandes para poder escrever, desenhar e editar de uma forma muito mais imediata. Isto são distrações, devaneios, forças que nos desviam do alvo de criar qualquer coisa que nos dê algum maior futuro no mundo inteligível das ideias. Todo o trabalho implica uma cadeira e uma secretária e com este cenário vem sempre uma dor de costas e uma consequente falta de inspiração. E, claro, o portátil cansa. São muitas horas, muitos dias, muitos emails. Talvez daí esta vontade de ter um gravador que torne o portátil redundante; ou de ter um iPad que faça a mesma coisa. Mas, no fundo, sabemos que não é aí que reside o mecanismo dos dias.
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