Páginas

20.5.20

Corrida dia sim dia não

Não sei se hoje é um bom dia para não fazer nada. Um dia daqueles em que ficamos parados a olhar para qualquer coisa se a estarmos realmente a ver. Pode ser uma televisão, um filme. Pode ser um livro, um fantasma. Pode até ser uma parede e mil e uma coisas imaginadas escritas nela. Estou só a ver uma animação que o David Lynch publicou no youtube. Imagens a preto-e-branco, demónios esquisitos e fantasmas alegóricos que metem medo na mesma. O olho de um lobo. Animações em sintonia com um fundo de música clássica. Preciso de ler coisas novas e de criar qualquer coisa nova, mas hoje estou cansado. Já há algum tempo que ando a ler as noticias a correr. Para quê? È um circo em que os palhaços fazem sempre os mesmos truques de sempre. Não fazem rir ninguém, mas a plateia continua fiel. Gostam de achar piada às coisas que conhecem. Tudo o que é novo e diferente não presta. Mudo de assunto.
Fui correr outra vez. Hoje cerca de 40 minutos, cerca de 6 quilómetros. Subi a rua do costume, fiz um desvio por outros e desci até ao Queens Park. Não corro por dentro do parque. Dou a volta completa por fora a ver se passo por menos gente. É difícil. Hoje andava ainda mais gente na rua (25 graus), a correr, a passear, completamente alienadas (mais do que eu talvez). Os números já não importam. Só importam as teorias das distâncias, do uso das máscaras e de uma anormalidade que é a nova normalidade. A energia começa a ficar ténue, as pernas entram numa espécie de dormência, o corpo pede mais água. Há mais gente nas ruas nestes dias do que em dias normais, mas ninguém sabe por onde ir.

Sem comentários:

Enviar um comentário