3.3.20
E eis que o mundo anda agora distraído com um tipo de coisas que normalmente nunca são mais importantes do que futebol.
Isto da Coronavirus já começa a ter contornos literários ao bom estilo de um ensaio sobre a cegueira. Pior que a probabilidade de se ter um vírus é a probabilidade de metade do planeta entrar numa paranóia de contornos apocalípticos. Quem deve a esfregar as mãos são os politicos propagandistas que continuam a difundir o medo numa população já bem hipnotizada pelas redes sociais. É conveniente. Quanto mais medo, mais votos. Aproveitam também para construir muros maiores nas fronteiras e pseudo-justificar a matança nos mares. Tudo serve para fazer inchar esta bolha de intolerância e culpabilizar os de fora. São tempos estranhos. Vivemos numa era de muita coisa no ar e pouca substância. Os jornais exageram nas noticias, como se não existissem outras doenças no mundo que matam muita mais gente. Ou guerras. Quantas pessoas já morreram na Síria? Mas isso pouco importa para o zé-ninguém. Ele agora está preocupado com os espirros e com os estrangeiros. Ele quer viver num sítio sem doenças (isso é lá para os africanos), na paz do senhor, sem esta coisa do aquecimento global e da união europeia. O zé-ninguém está preocupado com a cura para a doença que provavelmente vai acabar por ser descoberta por um asiático qualquer. O mesmo que descobriu a cura para tantas doenças que ele andou a espalhar mundo fora.
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