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28.2.20

As horríficas sextas-feiras e eu mais preocupado com um bom sofá num canto qualquer longe da tortura sonora das muito queridas do coro desafinado

Já não tenho paciência para aturar canalha adulta, gente egocêntrica e egoísta. Na semana passada alguém escolheu como tema de playlist Jazz Instrumental de 60s e 70s e as meninas de coro vieram com a lamecharia do costume a dizerem que deveria ser outra pessoa a tocar a coisa porque alguém pediu para que as colunas não estivessem tão perto e tão alto. A típica atitude. Resultado: ninguém tocou a playlist e tivemos uma sexta-feira sossegada. Esta semana era a minha vez de escolher o tema. Estava prestes a insistir no jazz mas decidi perguntar às pessoas se tinham ideias e algumas delas sugeriram (e insistiram) num tributo ao Andrew Weatherall. Tudo bem, prescindo dos meus direitos por uma boa causa colectiva. Ora, a manhã até começou bem, alguma consistência, alguma ambiência, muitas partes instrumentais. Mas passado algum a tempo, a ala triste (esta sexta, sem complexos em tocar aquilo nas colunas de merda habituais) desligou o Weatherall para tocar a bosta pop do costume. Volume exagerado, música pestilenta, assobios desafinados. Quando se queixaram que não havia músicas que chegassem eu mandei-lhes uma playlist com mais de 1000 músicas. Ignoraram, obviamente. E ninguém lhes disse nada porque ninguém quer tocar na ferida. Digamos que é um grupo de galinhas liderado por um galo convencido que os outros é que estão mal. Mas obviamente toda a gente sabe onde está o problema. E o problema é esta arrogância e complexo autista. Daí que passei a minha tarde a ter reuniões comigo próprio em sofás e cadeiras confortáveis. Tal foi o suficiente para dispersar o cansaço e não dar corda ao mau-estar provocado por aquela gente. Nem é só o facto de a música ser horrível e demasiado alto. É também a puta da ideia de que os outros não existem e que têm direito a não serem torturados no local de trabalho. As queridas queixam-se que não as deixam integrarem-se, mas está aqui a verdadeira essência do problema e a causa de uma distância que se agrava. Parece o puto do recreio da escola e é fácil perceber onde isto vai parar. Eu não quero saber. A minha sexta-feira vai ser à cigano, de um lado para o outro, mesmo que me custe andar com o portátil atrás e ter de fazer coisas num ecrã demasiado pequeno. O mais interessante nisto é que eu não sou o único. Por volta das 4 vi uma outra pessoa a fazer o mesmo... do topo da hierarquia.

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