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5.2.20

Tudo se consegue aos poucos, com alguma insistência, sem desistência, com os pés na água e a cabeça nas nuvens

Depois da habitual meia-hora de natação no passado sábado em que eu só espreito de vez em quando os movimentos desfocados do Piruças porque estou na piscina ao lado sem óculos de ver, ele veio todo contente ter comigo com o papel molhado na mão a dizer que tinha passado para o nível 3. Passagem bem merecida, disse-lhe, e ele explicou-me que tínhamos de ir à recepção entregar o papel. Mais do que isso conversou comigo e disse-me que estava um bocadinho nervoso por subir de nível (ele disse 'shy', tímido), provavelmente iria começar a ter a aula na piscina grande com miúdos maiores. Mas logo de seguida disse que gostava de coisas difíceis porque são um desafio e que as coisas fáceis são aborrecidas. Mudança de paradigma na idade certa. Mas não há de ser nada, expliquei-lhe, porque ele já mergulha como um golfinho na parte funda e a professora, a Zoe, vai ser a mesma. Ele concordou. Ficámos mais um pouco na água, mas assim que o frio entrou no mapa saímos e fomos marcar a nova hora do nível 3. Entre as 10:30 e as 11:00 escolhemos a mais cedo e já não vai ser preciso por a pé da cama tão cedo. A desvantagem é a de não ter tanto tempo para ir ao daylight music na Union Chapel. Podemos sair rápido assim que a aula acabe mas perdemos sempre o primeiro artista. Mas nós gostamos de coisas difíceis porque são um desafio e as coisas fáceis são aborrecidas.

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