16.1.20
Hoje de manhã conversamos cinco minutos sobre o ‘incidente’ na escola e cerca de vinte minutos sobre as pessoas más no mundo, tipo o Boris e o Trump. Há que pôr as coisas em perspectiva.
O Piruças ontem deu uma chapada numa menina que o andava a chatear e hoje tive de ouvir a lenga-lenga de uma das professoras, daquela mais ranhosa. É uma chatice que estas coisas aconteçam. Conversamos sobre isso em casa e esperamos que não se repita. O que as professoras se esquecem às vezes é que estas coisas acontecem e são apreendidas na escola. Eles assumem uma série de comportamentos em grupo e têm as 'leis' deles. Só isso explica a mudança de atitude do Piruças em relação, por exemplo, a meninas. O "não gostar" delas não faz parte dele, faz sim parte da comunidade de recreio e de sala de aula e ele vai atrás disso como forma de se integrar no grupo com o qual ele se identifica. Também não creio que a atitude desses grupos seja o resultado de uma misoginia que vem de casa. Apesar de muitos deles terem famílias que vêm de culturas muçulmanas, ou do género, em que existe um "lugar" separado para as mulheres, não podemos ver as coisas de uma perspectiva borixiana (e de quem votou nele). Penso que tem mais a ver com procuras de identidade nestas idades. Eles definem-se como rapazes nestas imbecilidades porque não conseguem pensar muito para lá do preto-e-branco. É certo que não precisam de ter este tipo de comportamento para se identificarem com o género, mas se calhar faz parte. Primeiro adquirem certezas e depois vem a dúvida, como diria o filósofo Ludwig Wittgenstein. No entanto, se de facto isto não é normal, então é responsabilidade da escola resolver o problema. Isto porque não é um problema que vai de casa para a escola (a escola tem de servir como mundo à parte), mas sim um problema que vai da escola para casa (no nosso caso). Eles é que têm de identificar o problema e resolvê-lo. É que isto não é só ensinar matemática e inglês para mostrarem bons resultados nas estatísticas. Aprender a conviver com os outros (e com eles mesmos) é o maior ensinamento nas escolas. Em casa também ensinamos a respeitar os outros, claro. Menos o Boris, que é um vigarista mentiroso.
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