Foi no verão que deixei de ir ao ashram do YIDL. Estiquei o os tendões, os músculos e os nervos e andei com o pé meio-pendurado durante algumas semanas, sem poder fazer alguns exercícios e posturas. Depois veio o verão, férias, e uma continuidade de dores sem dia certo. Fui dar o cabedal à osteopatia e parece que fiquei progressivamente melhor, pronto para outra. Não sei se fiquei melhor porque parei ou se fiquei melhor pelo esticão nas ossadas. Não há experiência científica que o comprove. À partida foi da terapia, diria muita gente, quanto não seja porque alguma coisa pseudo-mágica foi feita (as pessoas muito gostam de acreditar em coisas divinas, térreas ou não-térreas), mas bem lá no fundo, há algo que me diz que não foi terapia nenhuma. Foi simplesmente o tempo, a lenta passagem do tempo, e o pé a ganhar mais um pouco de força e a subir mais uns milímetros.
Assim que fui recuperando, fui praticando. Muito ao de leve ao principio, só alguns minutos, e agora já faço uma média de 40 minutos diários. Não é a mesma coisa que estar numa sala com meia-dúzia de pessoas durante hora e meia, mas isto é o quanto baste para mim, para o meu esqueleto, para aquilo que eu posso (não o que eu consigo) fazer. Assim sendo, não regressei ao YIDL depois das férias, nem estou a pensar regressar. Aprendi posturas que cheguem para saber o que estou a fazer e confesso que andar a fazer o pino e a esticar o pernil até ao infinito não é boa coisa para ninguém. Tenho uma dor na ciática que tanto pode ser acordada por estar muito parado como pode ser agravada por tentar fazer certas coisas que não devo fazer. E, sinceramente, meia-hora por dia chega. Não é preciso muito mais. Além disso, há muito bom exercício que é muito melhor para a condição física. Nadar, por exemplo. O grande problema dos praticantes de yoga (e isto confirma-se em muitos artigos de jornal que mencionam casos de professores de yoga que de tanto forçar acabam na cama de um hospital com problemas irreversíveis nas ancas) é o não saberem muito bem quando parar, seja porque não têm noção dos limites físicos, seja porque entram naquela cavalgada de querem ser uns gurus de ginásio. Eu dispenso as aulas. Aprendi e não preciso que mais ninguém me ensine. Afinal de contas, passados todos estes anos continuo a tocar uma guitarra que ninguém me ensinou.
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