Páginas

6.11.19

15 minutos

Tenho quinze minutos para escrever isto. É o meu novo exercício de escrita, uma técnica que tem a ver com a rapidez com que às vezes precisamos de fazer certas coisas para as conseguirmos fazer. Ouvi hoje num podcast uma conversa sobre isso. Não é nada que eu não faça quando me apetece agarrar mais às ideias do que à análise da boa escrita. É certo que nem todas as construções frásicas são boas quando escrevemos sem parar, mas só assim acontecem coisas. A grande novidade, ou inovação, do podcast reside não só na ideia de rapidez e hábito, mas sim no uso de uma ferramenta essencial: a contagem decrescente, o timer. E, sinceramente, penso que a razão principal disso nem é sequer o escrever rápido sobre pressão; é antes uma questão de ter um ritmo, de escrever sem parar durante aquele tempo, sem parar para pensar ou editar (tal deve ser feito num dia diferente), de tentar chegar a algum lado sem desistir a meio.
O timer tem sido uma ferramente frequentemente usada por mim nas minhas sessões caseiras de yoga e meditação. Primeiro, uma 40 minutos / 1 hora para mexer o corpo, depois 15 - 20 minutos para meditar sentado, em silêncio ou a ouvir qualquer coisa profunda de uma nota só. Da mesma forma que tento cumprir (e cumpro) 15 minutos de meditação, cumpro também este ritual em que escolho um assunto e me atiro ao papel (ao teclado do portátil neste caso) sem pensar em pormenores ou em infinitas considerações sobre quem lê, quem não lê, quem se interroga sobre a melhor gramática ou o melhor vocabulário. Não tenho tempo. Tenho apenas mais três minutos e quantas palavras é que eu já consegui escrever? 200? 300? Tal não importa. O que importa é esta montra de possibilidades desta escrita semi-automática neste curto espaço de tempo. É um conceito simples que deve ser aplicado a tantas outras coisas que fazemos. Seja ver televisão, seja ler, seja trabalhar, seja tomar um café, seja o que for. É uma disciplina essencial neste novo mundo das tecnologias.

Sem comentários:

Enviar um comentário