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16.8.19

O picnic freak

Fora da dimensão mais rockeira, ruidosa e eléctrica, sou bastante reservado. Planeei fazer duas ou três experiências no picnic freak e explicá-las, mas quando chegou a hora de ligar a máquina eu já estava com vontade de sair dali (os ácidos e as ciáticas também não ajudaram muito, confesso) e acabei por não dizer nada sobre o que eu estava a tentar fazer ali. Sei que é algo retardado, mas posso explicar agora que tinha um patch de MAX/MSP com três pistas de áudio que eram accionadas aleatoriamente de 30 em 30 segundos e o meu desafio era improvisar com esses sons. Tinha cerca de 30 ficheiros numa pasta que eram escolhidos ao acaso, coisas díspares - cânticos de romeiros de Ponta Delgada, máquinas de escrever, gotas, um poema do Bukowski, esculturas sonoras do Filipe em sessões corti-cose - coisas que fui gravando/guardando ao longo dos anos.
E foi mais ou menos isso que aconteceu durante cerca de 20 minutos. O mais foi o patch ter funcionado, o menos foi o eu não ter tido o à vontade preciso para expandir um pouco mais os sons da guitarra (já desabituado a tocar com amplificadores grandes com o volume certo; sem saber muito bem o que fazer com tantos botões de um pedal emprestado) e de não ter experimentado uma sequência de loops de guitarra (também lançados ao acaso) com os quais teria mesmo de improvisar tocar de uma forma mais convencional. Mas isto é muito o que acontece na hora. E bem lá no fundo eu queria que se prestasse atenção aos sons e à forma como eles interagem uns com os outros, e nisso acho que consegui chegar a algum lado.

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