18.8.19
Num dia que começa com chuva e acaba com sol
Não sei se estou a deixar de escrever aos poucos ou se isto é mesmo um intervalo necessário. Penso que é uma fase temporária (quero estar optimista) porque há mesmo alturas em que temos de parar de fazer coisas para as podermos ver à distância. Há ainda a considerar constrição do tempo, os estados de alma e corpo, e uma vontade de quebrar as rotinas que damos por adquiridas ao longo dos anos. Fiz muitos (e ainda faço) planos de escrever sobre imensas coisas, planos que estão sempre alicerçados em rotinas, num ter de escrever 'porque sim', mas nem sempre as coisas acontecem da forma esperada. Às vezes descarrilamos, adormecemos, viajamos um pouco para outras paragens, ou simplesmente, ficamos parados à espera que o tempo passe. Voltamos a ser que somos por uns tempos e abraçamos a ideia de não fazer nada. Nada de yogas, nada de meditações, nada de músicas, nada de livros. Ficamos parados. As coisas em rebuliço cá dentro, mas a vontade adormecida de começar seja o que for enquanto não houver aquele impulso fundamental. Às vezes só precisamos de mudar de sítio, ficar sozinhos, viajar dentro deste espaço que é nosso para começar a ver tudo de uma forma diferente. Quando damos por nós, já escrevemos de uma forma diferente, mudamos as virgulas para outros sítios, esquecemos aquelas estruturas gramaticais enraizadas e procuramos escrever com os mesmos ritmos que temos cá dentro nas nossas vozes, vozes que já não são as mesmas, quer o tom, quer o vocabulário, quer tudo aquilo que somos. Sempre a mudar.
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