19.8.19
Luz de candeeiro, livros por ler e a música de fundo
A casa vazia. Um silêncio raro. A música a tocar baixinho para ocupar os espaços entre as janelas e eu a deixar-me levar por pensamento nenhum, só este terminar de dia amolecido, chuva e sol, temperaturas desfasadas. Não é nada difícil ocupar o tempo. Preparo uma salada, aqueço a sopa, vejo a correspondência, escrevo dois ou três emails necessários, e aos poucos vou tendo as ideias mais ou menos organizadas por ordem alfabética. Falta-me um pouco o rebuliço de final de dia, aquela hora das bruxas em que tudo é frenético na hora em que o corpo pede só repouso, meia-hora que chegue para restabelecer as energias. Vejo a poeira assentar, escuta a música de um cantor folk qualquer dos anos 60 e hesito nestas emoções de gostar disto ou não. Gosto do sossego, tenho de dizer. Gosto deste silêncio e deste entrar em câmera-lenta na noite. Mas também gosto de estar naquela conversa bizarra do antes de adormecer, mesmo quando o disparate reina e já não há sentido de humor de sobra. São estes paradoxos que nos alimentam, as dinâmicas entre os sonhos e as realidades e os nossos desapegos a tudo que gravita lá fora na distância. Parece que faz bem estar só de vez em quando. È uma espécie de retiro de alma, qualquer coisa que nos faz situar a vida no tempo e no espaço.
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