4.6.19
A vida em HCESAR
Até agora só recebemos um e-mail do Home Office a dizer que o processo do Piruças estava a ser analisado e que iria ser processado em breve. Este breve, segundo uma pessoa que eu conheço, é uma questão de horas. Passou um dia, dois, três. Passou uma semana, mais do que uma semana, quase duas, e nada. Estranho. Os cartões de identidade foram enviados e devolvidos. Que burocracia pode ser esta num sistema apregoado tão célere? Mais por curiosidade do que outra coisa qualquer, entrei em contacto por e-mail há cerca de três dias e hoje responderam. Parece que a razão da demora tem a ver com caracteres não reconhecidos no alfabeto inglês pelo sistema informático. Estamos assim a falar do ã de João e do ú de Júlia. Assim sendo, os processos têm de ser vistos por um funcionário e com dois caracteres apenas se explica a demora. Ora, os acentos fazem parte de praticamente todos os alfabetos europeus, penso eu, e parece-me haver aqui um atraso tecnológico grave. Ou então esta é também uma forma de nos dizerem que não somos todos iguais. Línguas diferentes, alfabetos diferentes, estilos diferentes. O teclado inglês QWERT não tem nada destas fidalguias gráficas. Ao bom estilo inglês, não se perde tempo com coisas que não servem para nada (de facto, para quê o 'ú' de Júlia?), por isso é cada vez mais difícil de perceber este atraso de vida de três anos.
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