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2.10.18

Para a próxima do it yourself

O bug ninja nem teve o cuidado de fazer a mistura às escondidas e deixou a embalagem de insecticida dentro do nosso caixote de lixo. É um produto da Bayer chamado Ficam W, um nome muito mal escolhido, diga-se, quando não se quer que nada fique. O que ficou foi a prova de que eles não usam produtos caros nenhuns, porque este produto custa cerca de £15 ou menos. Ou seja, das £250 ainda sobram £235 para a mão-de-obra. Como se diz na nossa terra: uma chulice.
Creio que aquando da primeira visita os bichanos já estavam meio-mortos e o famoso produto das £250 só deu conta do que faltava. Foi aquele mineral cinzento que eu deitei que começou o processo. Eles ainda rabiaram durante uns dias, mas tal é suposto e normal. Era preciso que eles saíssem da toca e tocassem no pó. Depois seria tudo uma questão de duas ou três semanas. Quando o primeiro ninja veio com o insecticida foi só para começar a limpar as carcaças, daí o não ter sido mais mordido desde então. Por muito que eles percebam do bicho, não me convencem. Nesta altura já percebo mais do que eles. Sim, ó ninja, é um absurdo espalhares produto no tampo da mesa e em cima da mesinha de cabeceira. Os bichos não são assim tão burros para andarem por cima de uma mesa. Daí que se eu soubesse o que sei hoje, teria comprado o insecticida das £15, uma botija pro e uma máscara e teria feito o serviço eu mesmo por menos de £50 e ainda sobrava para dar aos vizinhos. Foi a ignorância que custou £200. Infelizmente, quando se vai à internet não se encontra nada concreto e verdadeiro, porque é como ir ao Facebook procurar sabedoria no meio daquele lixo todo. É demasiada informação, muita coisa sem interesse nenhum e uma cultura de pânico e exploração através da venda de produtos e serviços em frequências especulativas. É a sabedoria das pessoas que se anda a perder porque já nada passa de boca em boca. É uma ilusão de sabedoria online. O que eu quero dizer é que nos tempos pré-internet, para resolver isto bastava ir falar com o Quim Roscas que vive no fim da rua que nos dizia exactamente o que fazer e o que comprar. Agora, nestes tempos ultra-modernos, já não sabemos nada, sabemos muitas coisas através do Google mas não sabemos a resposta certa. Agora, se colocarmos este raciocínio fora deste assunto e o aplicarmos às imensas coisas do dia-a-dia é que ficamos realmente conscientes do quão aterrorizador este mundo é.

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