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3.10.18

Os papás responsáveis é que sabem o que é bom para os filhos

Agora que não podem entrar e têm de sair a uma certa hora, ficam todos ali ao portão a servir de obstáculo para quem chega e para quem ainda está a sair. Para quem chega é logo uma vontade de cometer atropelos porque não há paciência para tanto excuse me. Assim, uns metros antes, dou um abraço ao Piruças, dou-lhe o saco dos cadernos para a mão e ele lá vai. Chamo por ele para o aceno do costume e ele lá acena também a rir-se todo. Em três acenos arrepio caminho distanciando-me daquele mar de papás lamechas. Para as crianças deve ser algo muito para lá das emoções que eles experimentam nestes dias de escola. Verem aquele aglomerado de papás e mamãs ali ao portão não torna as coisas simples porque se torna uma cerimónia e não um momento normal de todos os dias. E assim tão difícil desopilar? É que para ficarem ao portão mais vale ficarem lá dentro.
Eu devo ser um educador muito insensível quando digo estas coisas. Ainda ontem estava numa reunião sobre conteúdos audio-visuais à hora do almoço (fui mais pelas sandes, porque não era uma obrigação) e remeti-me ao silêncio na parte em que falavam de conteúdos supostamente ofensivos. Estavam muito preocupados em como bloquear as letras com palavrões e vídeos inapropriados, quando eu nunca vi nem vejo nenhuma necessidade disso. Em primeiro lugar porque eu não ouço música de mau gosto (sim, isto é tudo mais uma questão de mau gosto do que outra coisa qualquer). Em segundo lugar, porque não sou conservador (há uma clara evidência que estas mamãs chiques vêm de uma linhagem de direita, continuando a fazer aquilo que os pais delas lhes fizeram e, claro, nunca desenvolvendo muito bem aquelas linhas de pensamento). Em terceiro porque sou um ferrenho adepto das ideias do Frank Zappa que lutou durante muitos anos contra o fascismo e censura da indústria da música. Eu sou da opinião de que não se deve censurar seja o que for. O tempo de ouvir musicas com palavrões há de chegar. Esconder é que não.

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