Páginas

24.5.18

Existo, logo penso

Tentei ler a versão portuguesa do Erro de Descartes, do António Damásio, há cerca de quinze anos, mas por alguma razão qualquer não passei das primeiras páginas. Há ali umas passagens algo técnicas que foram um obstáculo. Mas desta vez, talvez porque tenho a cabeça mais virada para estas coisas, consegui ultrapassar a grande montanha e já estou a chegar ao último capítulo. É um livro fascinante. Uma autêntica pedrada no charco das ideias pré-concebidas de que o racional está separado do emocional, de que as emoções acontecem essencialmente na cabeça, de que não somes alegres porque não queremos, de que somos todos programados com as mesmas condições biológicas. Nós somos essencialmente um corpo complexo e existe nele um complexo emocional (que é muito físico) que condiciona as nossas decisões ditas racionais. Sem esse complexo ficamos à deriva. O intelecto entende mas não processa. É essencialmente o nosso corpo que determina a nossa alegria ou melancolia, os nossos medos, a nossa vontade de mudar. Claro que isto não é uma coisa linear, mas há que deixar a cabeça no sítio dela.

Sem comentários:

Enviar um comentário