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10.5.18

Descendo a rua com trocos na algibeira

Deixo o puto na escola (hoje dia de ginástica, equipado à maneira) e desço a rua até à paragem de autocarro da segunda esquina. Já há muito que não fico na primeira, aquela em frente à loja de uma libra, tem demasiada sombra. Desço a rua e aproveito os trocos que tenho no bolso para comprar uma pequena caixa de mirtilos (uma libra) e três abacates na terceira esquina (outra libra). Chego à paragem e vejo que tenho sete minutos de espera pelo próximo 328. Peço um café na Pit Shop, um expresso duplo a ver se acordo de uma noite dormida aos solavancos. Não vou beber mais café hoje. Ando mais numa de chá verde com limão. Por acaso, o chá verde também tem cafeína mas não muita. O limão corta aquele sabor estranho da erva.
Há dias em que é o corpo que nos dá ordens. No fundo, é isto que realmente acontece quando estamos presentes no momento. O cérebro comanda sem autoridade, apenas lê as mensagens e aprende a observar e identificar. Comecei a cortar nos carbonos e no açúcar no princípio da semana e já começo a sentir os efeitos, mais leveza e menos revolução de tripas. Tudo passa por continuar a comer vegetais e acrescentar muitas mais proteínas à dieta. Comer mais ovos e atum. Cortar com massas, arroz e batatas, e reduzir bastante no pão (esse pecado) e na aveia (o hábito matutino). O truque nunca passa por deixar de comer, mas sim por comer pouco. Assim, o pão a sair da máquina vai ser pequeno e escuro (o ideal era não comer cereal nenhum, mas não consigo ser assim tão radical) e a aveia matutina vai intercalar com ovos ou passar a uma condição de "quando não houver ovos". Os doces vão ter de levar uma valente cacetada. Nada de supermercado. Só mesmo um cheesecake de vez em quando, daquele com queijo gordo e proteico, nada de farinhas. A procura de proteína vai pedir peixe (não é desta que vou ser vegetariano), carne só quando não houver alternativa, etc etc etc embora que daqui a duas semanas vou fazer um workshop de comida vegetariana no ashram e poderei sair de lá com um punhado de receitas que minimizem a chicha ao absoluto. Vamos ver. Daqui a duas semanas já terei alguns resultados. O objectivo principal disto é abater esta inflamação gordurosa na zona periclitante da pança, não pela pança em si, mas sim por este excesso de naftalina à volta das vísceras que de saudável não tem nada.

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