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24.4.18

O homem elástico

Na página 14 do suplemento de literatura do The Guardian, um excelente artigo sobre um livro que fica desde já adicionado à minha lista de espera: Elastic: Flexible Thinking in a Constantly Changing World. Há aqui qualquer coisa superior ao habitual neste tipo de livros. Parte da ideia habitual: estudos indicam que novas ideias e resoluções de problemas emergem quando as nossas mentes não estão concentradas numa tarefa, mas sim quando num estado de alta-conectividade ("default network"), o que é algo que acontece cada vez menos nesta era de smartphones que nos obrigam a estarmos concentrados numa coisa trivial atrás doutra, não permitindo ao cérebro aproveitar a tal network. Daí o conselho para "desligar", pelo menos parcialmente. Chama-se a isto eco-psicologia.

O autor do livro chama "pensamento elástico" ao fluxo de ideias na consciência em momentos de introspecção. O que é o oposto do 'pensamento analítico", um pensamento mais lógico, regrado e consciente. Mas o interessante neste livro, ao contrário de muitos do género, é a ausência daquela retórica que desvaloriza o pensamento analítico em prol de uma supremacia do pensamento elástico e intuitivo. Segundo o autor nós precisamos de ambos. O pensamento elástico pode gerar preciosidades, mas também gera muita coisa inútil, e a função do pensamento analítico é a de polir essas ideias e filtrar só o que interessa. No entanto, o grande problema parece ser o de encontrar o equilíbrio. Um estilo puramente lógico-racional não é criativo; e um puramente elástico anda à deriva. Mas sem dúvida que a grande maioria das pessoas precisa de grandes proporções de pensamento elástico, de modo a deixar passar as ideias mais fáceis para se acostumar à ambiguidade e à contradição. E é nesta procura de equilíbrio que podemos encontrar respostas. Aliás, o equilíbrio é fundamental até porque existem estudos que indicam que a nossa capacidade de abordar problemas de forma criativa é muito maior quando a nossa mente consciente está exausta depois de ter estado concentrada em montes de tarefas e escolhas monótonas. Ou seja, seremos muito mais criativos ao fim de um dia de trabalho se soubermos desligar e dar espaço ao pensamento elástico. Da mesma forma, a criatividade é muito mais pura quando acordamos de manhã, quando o cérebro ainda está naquele estado sonâmbulo.

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