22.3.18
Fónix
Eles sentam-se todos no chão, prontos para uma sessão de fonética (phonics). As mães e o pais sentam-se nas cadeiras atrás deles, cadeiras para gente pequena. O som de hoje foi o "or" de fork e torch. Alguns exercícios, uma professora de voz sempre ao alto, atenta a todos, e depois todos de pé para cantar todas as músicas de todos os sons, com coreografia. Ao princípio tudo isto parece ser demasiado exigente para uma idade tão catraia de quatro/cinco anos. Eles fazem testes e tudo, têm de absorver imensa informação, toda uma sonoridade que uma língua que não será certamente a única para a grande maioria deles. Mas, fónix, isto para eles é uma brincadeira, um desafio, um jogo, uma diversão. Não precisam de crescer para aprender, precisam sim de apreender para crescer. Toda a aprendizagem linguística é bem vinda nesta idade catraia, cria estrutura, incentiva a comunicação e desenvolve os músculos cerebrais de interação comunitária. Nós é que fazemos uma interpretação subjectiva destas coisas, porque o nosso ensino foi sempre uma questão de exigência e não de prazer, e os exames (com os quais nunca soubemos lidar muito bem) vieram tarde e as más horas, com o reforço de exigência, e com aquele vácuo de nunca servirem para nada, a não ser para inculcarem ansiedades, medos e uma dificuldade tremenda em lidar com o insucesso. Temos isto gravado em nós, eu pelo menos tive até aos vinte e muitos anos e ainda hoje tenho sonhos em que estou a fazer exames ou à espera dos resultados. Pesadelos, portanto.
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